Nunca mais me esqueci dessa lição e desde então compreendi que amar aquele que só te faz bem, que diz amém para tudo o que você diz ou propõe, que sempre te faz sorrir e jamais te faz sentir o gosto amargo da decepção é tão fácil que nem deveria ser considerado amar. O amor exige um exercício árduo de sacrifício e perdão. É abrir mão muitas vezes das suas convicções mais fortes para se colocar no lugar do próximo e tentar entender sua falta de talento nas relações humanas, seus erros e defeitos e respeitá-los tendo paciência de saber esperar o tempo de mudança e amadurecimento de cada um.
Há quase dois anos atrás uma pessoa cruzou o meu caminho da forma mais tortuosa que alguém poderia ter cruzado. Me mostrou a fraqueza de caráter que um ser humano pode ter. Me provou que por mais que pensemos que somos espertos, a vida dá sempre um jeito de cairmos em nossas próprias armadilhas. E sem querer me colocou em uma das maiores provações pela qual eu já passei. Mas também me proporcionou momentos maravilhosos e me arrancou sorrisos dos mais sinceros e olhares dos mais ternos que eu já pude oferecer nesta vida.Desde então, foram muitas lições, muito aprendizado e amadurecimento de ambas as partes. Muito sacrifício, exercício contínuo do perdão, cuidado, preocupação, companheirismo e muita, muita negação de mim mesma. E o que é isso senão amor em sua forma mais pura, forte e genuína? Sinceramente se não for amor eu não sei o que mais é.
Até porque na minha insignificante opinião, o amor se divide em várias ramificações podendo se manifestar em diversas situações, por diversas pessoas de maneira e intensidade diversas também. Acredito que durante toda a nossa vida precisamos experimentar todo o tipo de amor para no fim dizer: Eu vivi! E vivi intensamente!
Eu amo a minha família e não há nada no mundo que me faria deixar de amá-los, a prova disso eu senti na alma quando a dor da decepção fez do meu pai-herói um homem como outro qualquer. E nem por isso, deixei de amá-lo. Eu amo meus amigos, irmãos imperfeitos que eu escolhi para viver e compartilhar das minhas imperfeições também. Que muitas vezes me magoam, me abandonam quando eu mais preciso, me fazem ou dizem coisas que machucam, mas é só lembrar dos momentos de sorrisos abertos, da gargalhada frouxa, das sessões de dasabafos e confidências e do silêncio que conforta ao lado deles, que tudo passa. Não deixo de amá-los. Eu amo o meu cachorro mesmo ele sendo o tipinho mais rebelde de canino que já existiu. Eu amo a comunicação e quase desisti dela ao traí-la cursando arquitetura. Acordei a tempo.
Eu amo a vida mesmo ela sendo tão difícil e complicada. Não desisto dela. Não desisto das pessoas. Não desisto das missões que um dia, em uma diferente dimensão desta na qual eu vivo hoje, eu aceitei cumprir. Não desisto dos meus sonhos por mais impossíveis que eles possam ser. não desisto de mim por mais fraca que eu me julgue às vezes. Desistir é uma palavra que só se aplica na minha vida quando a exaustão toma conta do meu ser.
E hoje, mais do que nunca, eu só gostaria que minha família, meus amigos, meu cachorro e a vida não estivessem tão exaustos para desistirem de mim.

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