domingo, 2 de agosto de 2009

Medo...


Tudo bem eu confesso,vou me despir dessa aparente figura forte e tranquila e confessar: Eu tenho medo, eu tenho muito medo.Medo de um futuro incerto, medo de não haver futuro...
A vida colocou no meu caminho agora coisas com as quais não sei lidar, não estava preparada e agora?Agora o medo me assola lá fora,aqui dentro,dentro de casa,dentro de mim...Eu até que consigo entender porque que algumas coisas acontecem, mas é tão difícil aceitar.
Tenho me sentido sozinha. Meus dias tem ficado cinzas e não há nada que seja capaz de colorí-los agora. Meus amigos,minha família...Todos tem seus problemas,mas todos tem pra onde correr,tem sua fulga,seu porto seguro...Eu estou à deriva esperando que alguém me salve. Talvez Deus me envie um anjo,talvez esse anjo me estenda suas mãos,talvez ele me leve,talvez não...
Enquanto eu espero o medo cresce e os dias parecem que passam mais depressa porque agora cada dia é importante, cada dia pode ser conclusivo:pode chegar a salvação ou ser aniquilado pela condenação.
Tô com medo da vida;tô com medo da morte. Tõ com medo de ser feliz mas tô com mais medo é de sofrer. Sofrimento é muito ruim,envelhece a gente,amarga o que é doce,escurece o que é claro,torna inodoro o que antes era tão perfumado...
Enfim, eu tô com medo disso que cresce em mim... e não é amor,não é ódio,não é rancor,nem é um sentimento sequer. Mas me causa dor e um medo enorme das incertezas que essa manifestação da minha natureza gerou...
Que sare logo e que eu fique boa. Que Papai do céu tenha por mim misericórdia,mas que se o fardo vier pesado que ele me dê forças para suportar e não perder a fé e a esperança nunca!

Que assim seja!


Medo Parte II


O medo do Amor

Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável.
Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade.
Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim.
Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.