Eu te perdôo pela palavra não dita,
Refugiada na solidão dos teus lábios
Entre os beijos que amordaçaste...
Eu te perdôo pelo carinho adiado
Tatuado na insônia do teu corpo
Entre os sonhos que não dormiste.
Eu te perdôo pelo olhar aflito,
Desenhado no deserto do teu rosto
Entre os gritos de silêncio que guardaste.
Eu te perdôo pelo abraço apenas imaginado,
Sonâmbulo a ansiar o calor dos meus braços
Entre os luares que teus olhos apagaram.
Eu te perdôo por sufocares teus desejos,
Exilando-os na penumbra do teu coração
Entre os invernos perenes da tua alma.
Eu te perdôo pelas vezes que te esperei,
Quando teus passos emudeceram
Entre as fronteiras dos teus limites.
Eu te perdôo pela tua renúncia;
Por amontoares teus sonhos em gavetas;
Entre tantos outros estilhaçados pelo tempo...
Eu te perdôo por te perderes de mim.
