terça-feira, 2 de junho de 2009

Miss imperfeita


Miss Imperfeita

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer.
Procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas
contas, respondo a toneladas de e-mails...
E, entre uma coisa e outra, leio livros.

E acabo de aprender duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por
dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois incluí na minha lista a Culpa Zero.
Quando eu nasci, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e
me apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento eu seria
modelo para os outros.
Eu não sou Nossa Senhora. Eu sou, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a me divertir, bye-bye
vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada,
não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto
por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão
de ser indispensável.

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para
dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com meu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo
para uma massagem. Tempo para ver a novela.. Tempo para receber aquela
minha amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um
trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para o meu
quarto. Tempo para conhecer outras pessoas.. Voltar a estudar.
Tempo para escrever um livro que eu nem sei se um dia
será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que eu poss ser
perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a
bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo
isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que
uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto
lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas
e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

Nenhum comentário:

Postar um comentário